
Lu, Rodrigo, Renê e João, no primeiro casamento internacional das famílias Ramos, Almeida e Louca.
Lula Queiroga
Mama, olha eu no futuro
Mandando um abraço
Pelo cyberespaço
Mama, eu não faço mais besteira
Tá tudo mudado
Eu virei
Vagabundo globalizado
Mama, eu tô virado,
Eu virei...
Mama meu samba é guerreiro
Mesmo que qualquer distância
É menor que a saudade
Mama, hoje tem batuque no terreiro
Já tô avisado,
Eu virei
Vagabundo considerado
Um siderado brasileiro
Eu no futuro, mama olha eu
Eu no futuro, mama olha eu
No futuro a onda é diferente
Mas tem miséria igual
Tem solidão também
Minha janela dá prum céu escuro
Mas aqui é o futuro
A cozinha lá de casa não tem gravidade
E se eu abro a torneira
A água voa
E as panelas saem prá passear
Sob a garoa
Mama, eu tõ a toa,
Mas quando eu penso em você
Eu tô seguro
Eu tô no futuro
Eu no futuro (mama, olha eu)
Eu no futuro
Não foi com véu e grinalda, Cida Maria (mas acho que você não se importaria com isso agora). Nem estivemos presente, em charme e osso, como gostaríamos, mas estávamos lá, nosotros todos. Eu, você, seus netos todos, as flores que você certamente providenciaria. Não foi na Igreja que sua filha (comunista!!!) sacramentou o seu amor, amor esse que já estava sacramentado, não viste a belezura do seu primeiro neto?
Suas filhas bem saíram a ti, mas em outras versões, em novas palavras. Suas filhas saíram a ti, ainda que tão diferentes, ainda que não exatamente as moças prendadas que o mundo esperava delas (você não esperava moças prendadas, queria mesmo era moças sabidas, que lembro de você dizer que estava educando as filhas pro mundo...profetizava e não sabia).
Sua filha caçula, aquela mesmo, miúda e teimosa, casando lá em Buenos Aires, Capital do Brasil. Sua filha caçula, mimada, danada, e boa mãe como ela só. Sua menininha com aqueles dedos finos e molenguinhos.
Olha nós no futuro, mãe.
Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!
Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento
Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul
E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!
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